quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Principal desafio é melhorar contas externas, diz Mantega a empresários


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira (2), na abertura da primeira reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC) do governo Dilma Rousseff, que o principal desafio do governo neste momento é melhorar as contas externas do país.
No ano passado, o rombo das contas externas somou US$ 47,5 bilhões e bateu recorde. Entre os fatores que contribuíram para a piora das contas externas estão a deterioração do saldo comercial, que foi o pior em oito anos, e o volume recorde de gastos de turistas brasileiros no exterior. Mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, disse que o governo pode sobretaxar as importações de alguns produtos.
Exportações
"Temos de fazer com que as exportações cresçam mais do que as importações. Não podemos permitir que haja um aumento do déficit em conta corrente. O saldo [comercial positivo] de US$ 20 bilhões [em 2010] se deve à valorização [do preço] das 'commodities' [produtos básicos com cotação internacional, como aço, grãos e petróleo]. Ainda deveremos ter valorização de commodities em 2011, mas temos de forçar a exportação de manufaturados e enfrentar a guerra comercial", disse ele.
O ministro lembrou que o dólar baixo prejudica o saldo da balança comercial. Essa também é uma das principais reclamações dos empresários presentes. "Tem toda a questão cambial. E, nesse campo, temos tomado várias medidas. Temos que rever as medidas que tomamos. As que andaram e as que não andaram", disse, referindo-se, também, ao pacote para estimular as exportações. Ele afirmou que o Eximbank do BNDES, para financiar o comércio exterior, está para ser criado, assim como a agências de garantias.
Produção industrial
Outro "grande desafio", de acordo com o ministro da Fazenda, é estimular a produção industrial brasileira. "É aquela história de risco de desindustrialização. O setor manufatureiro sofre mundialmente. Foi afetado pela crise, mas em 2010, produção industrial cresceu 10,4%. Não é um mal resultado, mas compensou a queda de 2009", disse ele.
Acrescentou que o governo, e empresários, têm de se empenhar para que haja um fortalecimento do setor manufatureiro do país. "Temos vários desafios para aumentar a produtividade", disse ele, citando, também, a necessidade de qualificar a mão de obra.
"Um dos gargalos que podemos ter para a continuação do crescimento é a escassez de mão de obra com qualificação adequada. Temos de implantar no país um grande programa de qualificação da mao de obra", declarou ele.

O ministro da Fazenda também citou a agenda de desonerações tributárias, ou seja, de redução de tributos. Segundo ele, o tema está sendo discutido na reunião do GAC desta quarta-feira.
Gastos públicos
Mantega reafirmou que o governo, depois de aumentar os gastos públicos para conter os efeitos da crise financeira interancional na economia brasileiras nos últimos anos, vai promover um corte de despesas em 2011. O valor do corte ainda não foi anunciado, mas a expectativa é de que isso ocorra na primeira quinzena de fevereiro e que fique entre R$ 35 bilhões e R$ 60 bilhões.
"Entramos agora em uma nova fase de redução de gasto de custeio. Essa é a agenda que está colocada para nós. Uma forte redução de gastos de custeio e impedir que novos gastos sejam gerados no Congresso e nas áreas do governo. Ao reduzirmos os gastos do governo, abre-se espaço ou para desonerações, ou para redução da taxa de juros. Porque estaremos diminuindo a demanda do governo", disse o ministro.
Na visão de Mantega, a redução dos gastos públicos têm de resultar, depois, em queda da taxa básica de juros, atualmente em 11,25% ao ano. Em termos reais, os juros brasileiros, de 5,5% ao ano, são os mais altos do planeta, o que contribui para a atração de capitais e para a queda do dólar.
"É uma lógica que é aceita por todos [que cortes de gastos resultem em redução dos juros]", disse ele. Também participa da reunião do GAC Alexandre Tombini, o presidente do Banco Central - a quem dabe a missão de nivelar a taxa básica de juros para que as metas de inflação sejam atingidas.

FONTE: http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/02/principal-desafio-e-melhorar-contas-externas-diz-mantega-empresarios.html

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